domingo, 21 de outubro de 2007

Minhas Dores


Minhas Dores
LuliCoutinho


Calam-se minhas dores guardadas em minha essência o coração sente a ausência de um colo acolhedor.

A falta do abraço forte o beijo que deseja boa sorte um carinho doce e amado para se ter no peito guardado.Nada sabes da fragilidade sentida nesses momentos é solidão de velhas madrugadas pisadas em flores desfolhadas.

Uma luz que desfalece traços um gesto que esvaece abraços e o apelo por não mais sofrer segredo meu ninguém perceber.

Sabes que morro aos poucos talvez não!
Será que sabes?
A mulher que existe aqui...


Que vive o sorriso para ti?
Talvez se gritasse ao mundo que me cobra a todo segundo a beleza do sonho que sonho fazê-lo real, transformá-lo jardim?
04/09/2007




O Professor

O Professor
Fernando José Tricerri

Mais do que um simples estar... Ser...
Mais do que um simples ensinar... Compreender...
Em tua vida, em tua dedicação, naquele dia-a-dia, que só tu sabes, só tu vês, encontra-se a fonte mais pura da educação...

E a humanidade se informa e se forma, contigo no tempo...
Contigo no pensamento...
Desde os saudosos primeiros "abecês"...

E as idades passam e se entrelaçam, sem parar um só momento, num hoje contigo aqui...
Num amanhã com muito de ti...
Mais que lição... Coração...

Mais que razão... Compreensão...
És o mestre a dar sentido à vida, colorindo as consciências, burilando as essências, formatando o amor...

Tu és sonho, exemplo, guarida, liberdade, lembrança...
Saudade, esperança.
- Teu nome: Professor!



Palhaço também chora

Palhaço também chora
Humberto Rodrigues Neto


Ambos jovens, aos palcos desta vida, sobem, cada qual com seu papel; vivendo ora a comédia divertida, ora um enredo de ilação cruel.

Interpretamos cada riso ou pranto, apaixonada e primorosamente, e ao longo de um sucesso ou desencanto, a vida foi andando para frente.

Mas eis que um dia, entre um ato e outro do amor o enredo a declinar começa; sais de um roteiro e te colocas noutro, rendida ao charme do vilão da peça!
De principal ator eu regredi ao vil fantoche que me tornei outrora; finda a comédia é que eu compreendi por que é que às vezes um palhaço chora!




Solidão

Solidão
LuliCoutinho.



Aquela estrela brilhante raiada de luz e cristal trouxe um calor onipotente aos murmúrios da minha dor.
Como um acalanto, adormeço!


Os suspiros acariciantes da luz penetram afagos ao peito e amor no entrelace de alegria e dor. Confundem meus ais ora doce, agridoce, sal!
Onde tudo se acaba no mar nas margens da solidão.

Adormeço seus raios de luz oh, tristeza!
Navega neste mar imenso entre asas de um pássaro azul sereno dissolva-se em névoas e brumas ao vento.
http://www.lulicoutinho.com



Atrelados

Atrelados
Milamarian

No semblante serenando rimas de amor daquela jura que o néctar sempre purifica tudo e todo, vou assim evolando nas retinas o aroma do meu doce amado anjo protetor.

Tenho nas vertentes em apogeu a cerejeira musicando o perfume nacarado e adocicado do róseo ponto ao tempo - espaço atrelado à constância de tua alma que a minha arqueia.

A sombra já se esvai ante o grifo que protege a seara germinando seixos de ágata e ametista e no dourado e firme manto assim se solfeje, o murmúrio incessante daquela terra verde que ao romper d'aurora calmamente aterrissa e dois em um, grão de areia em pérola converte.
Japão 18/05/2007



Fragilidade

Fragilidade
Delasnieve Daspet


Está tudo guardado na minha caixa de recordações.
Tudo. Bilhetes amarelos. Flores secas.
Versos amarrotados. Um lenço bordado... Cheiros do passado.

Não vou improvisar.
Não quero desculpas, só estou querendo ser real.
Vou construir minha escada rumo as estrelas, onde serei jovem para sempre.

Não me lembro de minha vida sem ti.
Prossiga com a tua.
Seguirei com a minha, pois já vivi todos os sofrimentos.

Enquanto fugias estive sempre aqui enfrentando as borrascas.
Tantas coisas ocorreram...
Apagarei as lágrimas.

Tudo que quis está comigo.
Guardadas em mim.
Preparei-me para a circunstância de seguir a sós.

Aprenderei de novo o caminho da vida.
Penetrarei nas amarguras de todos os dias.
Saberei segurar meus impulsos.
Toda planta é frágil quando começa a crescer.

08-03-2003



sábado, 20 de outubro de 2007

Talismã

Talismã
Deleniralmeida

Nas minhas noites tristes, quando muito só e abatida, eu clamei por sua chegada...
Não imaginei sequer, que após tantos anos, acontecesse o milagre deste nosso reencontro!
Veio o abraço, aquele afeto único aflorou de antigos sentimentos, da paixão e dos encantos renovados de esperanças!

Você chegou tão manso tão devagar...
Tão desanimado!
Nosso abraço inevitável foi profundo! Foi real!

Foi toda cumplicidade com saudades!
Nossos olhares se cruzaram como antes...
A tarde tornou-se muito curta de repente...

Foram muitos desabafos entre alegrias e sorrisos!
Foi você então o talismã que mandaram para alegrar meus dias e enfeitar minha vida aqui!
Comigo outra vez! Abraçados!

Ficamos juntos e calados!
Veio me contar sua doença...
Recordamos! Revivemos!

Sonhamos e acordamos juntos aqui! Agora! Outra vez!
Eu, tão mais velha...
Você mais grisalho e mais cansado!

Mas sua força me fascina ainda!
Continuamos com os mesmos gostos, os mesmos sabores picantes e bizarros!
Ainda amamos a liberdade tão descontrolada!

Ainda sinto-me muito enamorada! Fascinada!
Nesta tarde de outono, percebi que a luz voltava!
Senti então a alegria voltar à vida!

A paixão outra vez evoluiu trazida junto com a saudade de um amor fugaz!
Mas agora tão revigorado! Fomos dois em um!
Hoje, somos tão somente apenas cada um em dois...

Porque de tudo que vivemos e fomos, restou-nos ainda uma ternura tão antiga, agora renovada, mas tão dissimulada! Por que será?
Será sempre meu talismã!

Buscaremos novas energias e colheremos junto às primaveras, que virão ainda...
Se forem poucas, também serão inesquecíveis...
Reinarão sobre nossas ilusões...

Na alegria, vou buscar você pra mim...
Na tristeza, vou trazer você pra mim...
Nas ausências, vou procurar você...

Estarei junto com você também na dura despedida...
Não haverá amanhãs!
Doce e suave talismã do meu sentir...

Do meu chorar... Do meu sorrir...
Talismã desta minha sorte...
Ou até mesmo desta defesa neste meu amar...

Prometo ser também seu talismã na sua dor...
Não deixarei que vá...
Partirei junto quando a morte vier pra buscar-lhe a alma!

A vida! O ar...Iremos juntos...
Para o mesmo lugar...
De mãos dadas iremos nós, lado a lado reviver nosso luar...

Em qualquer destino que a vida ou a morte nos puder levar...
Juntos...De mãos dadas...
Iremos sorrir e cantar e contar esta nossa sorte...
Seremos talismãs de nossas mortes...
15/10/2007.