segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Minhas entranhas



Minhas entranhas
Angélica Teresa Almstadter

Trago dentro do corpo uma prece e um pecado...
Uma prece que me guia e um pecado que me consome...
Trago dentro de mim um templo e um altar...

Um para o recolhimento outro para encantamento...
Enquanto num chora o anjo no outro arde à chama da carne...
Sou o avesso da orgia e uma porta para a utopia...

Em mim tudo habita...
No prazer de cada gesto ou na loucura de cada movimento brusco...
Na mão pousada em repouso, pela delicadeza de um momento ou na dança dos corpos em muitos movimentos...

Entre um átomo e o universo o início e o fim de cada ato...
No fio tênue que balança num riso hilário, passeia minha pele e minha sensatez, uma porque é acesa e a outra que me mantém no fio do equilíbrio...

Uma que sustenta a linearidade e outra que desliza no fio da navalha, têmpera de igual textura, afiada na mesma forja.
Trago dentro de mim um anjo e um demônio...
Um que me segura e outro que me empurra...

Um que me mima e outro que me alucina...
Tenho dentro das minhas entranhas fel e mel, fogo e água, nem sempre na mesma proporção, mas sempre em profusão...

Nunca uma mistura, na essência que me segura, cada manifestação é pura.
Sanidade ou loucura nem pouca nem muita, doses exatas para o bom rendimento...
Diante da veia torta que explode ou diante da santidade que me agita...
E só uma que em mim grita...

A minha alma aflita...
Que nunca sabe onde se prostra, onde se encosta, se na polaridade da minha vontade ou na liberdade que o vento mostra...
Trago dentro de mim a vida e a morte...

Em doses não muito precisas...
Num talho da vida o amor jorra...
E num jorro sem norte, a ceifa colhe a sorte...

Publicado no Recanto das Letras em 30/01/2005


O "Formatador"


O "Formatador"
Sônia Maria Grillo.

O "formatador" é a parte colorida da inspiração que o escritor transforma em poesia, é um pintor que coloca o coração à disposição dos poetas, com alegria.

Navega pelas letras, rimas e versos pincelando tudo com as cores do mundo e assume, como um réu confesso, seu imenso amor por esse universo profundo.

Há quem diga, que esse artista multicor é como uma planta parasita imensa que se adere sutilmente ao poeta-escritor para lhe sugar o néctar, do qual sua arte, se alimenta.
Ledo engano de quem assim pensa!

Pois é preciso um bocado de sabedoria e sentimento para colorir com maestria as letras de um poema, e também uma grande dose de discernimento!

Portanto meus amigos louvem esse artista e sua arte!
Esse mago dos pincéis e tintas multicores, pois ele nada mais é do que um poeta à parte, traduzindo sua inspiração, através das cores!
2007
Rio de Janeiro -RJ


Por Quê?


Por Quê?
Tarcísio R. Costa

Por quê?
Não apareces aos meus olhos, esconde-te atrás da incerteza, porque ages dessa maneira, se nenhum mal eu te fiz, apenas te amei!

Eu não sei o que fazer, para ter o teu olhar de volta, ser acariciado com o teu sorriso...
É uma incógnita a tua ausência, se me juravas o teu amor!
Por quê, por quê?

Continuo à tua espera, peço notícia tuas...
Quero saber o que devo fazer...
Não pude entender!

Acredito que tenhas as tuas razões...
Eu tenho as minhas, ao pedir a tua volta, porque combinamos tantas coisas...
Porquê?
Por quê?

Esse meu apelo é um triste lamento, sofrido, estou perdido no meu próprio caminho, não posso prescindir do teu carinho...
Ao encerrar essa minha mensagem, no desalinho da minha emoção, pergunto-te:
Por quê?




Somente Amar-te




Somente Amar-te
S. Bernardelli.

Desliguei todas as luzes...
Deixei apenas o luminar da vela para que a nossa noite fosse romântica...
Junto na banheira entre pétalas de rosas, quero amá-lo, massagear seu corpo com óleos quentes...

Quero dar-lhe o deleite merecido, pois você é único, especial!
Eu quero sussurrar-lhe palavras doces de amor em seu ouvido...
Quero desejar-te simplesmente...
Tornando esse momento de amor inesquecível...
03/08/2007



Metade



Metade
Luiza Porto


Não quero esse amor, que me oferece.
Pela metade.
Quero um amor, inteiro que preencha todos os meus espaços.

Que me faça sonhar com o luar prateado, canto de pássaros na alvorada mar calmo ou um rio suave que desliza em águas mansas e claras.

Ou você vem inteiro, e entre em meu coração com ternura e paixão, ou dispenso sua atenção e vou em busca do amor completo.




Psiu... Silêncio


Psiu... Silêncio
Marcial Salaverry

No amor, pra que falar?
Basta amar...
Do amor, pra que falar?

Basta amar...
Amor sussurrado e sem compromisso, no silêncio de um quarto... Prenúncio de amor quente e gostoso...
Amar...
É amar...
Seja na praia, ou sobre um leito de grama, basta que existam dois...
E quando se ama... Nada fica prá depois...
Psiu... Silencio para amar...


Então


Então
Sandra Maria

Você me prometeu, mas não foi com a boca foi com o verso.
Palavra sofrida de lágrima fácil.
Agora cumpra me beije, me queira tome a taça do meu corpo beba-o.
Prove meu gesto tire a minha roupa apalpe esta pele penetre nestas águas se afogue nos meus rios.
Conte-me um segredo imenso e profundo.
Nada será igual!