segunda-feira, 23 de julho de 2007

Ponderação.


Ponderação.
S.Bernardelli


Anos se passaram e, hoje mais velho avalio o tempo, e vi que joguei mal tantas coisas que eu vivi...
Durante noite sem contar meus dias que fugiram ao tempo, fiz muitos projetos que
permaneceram no ar no qual estabeleci esperanças, esperanças que voaram...

Afastado eu permaneço perdido, não sabendo aonde ir...
Os meus olhos procuram o céu que a cor foi colocada fora da terra...
Meu proceder fez com que o meu inconsciente combinasse o passado com o futuro...

Sucedi uma conversação comigo mesmo entregando minha opinião tão somente a criticar-me por ter desperdiçado horas fazendo loucuras que não me resultaram nenhum saldo positivo...
Foi preciso alguns enrugamentos para superar o medo, os problemas, os amores que se perderam, os amigos que não retornam por minha falhas...

Deixei uma cavidade em torno de mim por ter desperdiçado o que foi realmente importante...
Eu joguei mal com a vida...
Os maus anos foram congelados e solidificados...
Ganhei experiência não deixando congelar nem solidificar o meu melhor sorriso e a força do meu amor...
14/07/2007



Diga, querido... O que restou?


Diga, querido... O que restou?
Ciducha.
Que tempo é este tão estranho, escuro que rouba da minha vista o brilho dos teus olhos?
Onde está, querido, o ideal que nortearam os nossos dias?
Que é feito do teu vício de crer em mim e não resistir ao meu (nosso) amor?

Que restou do nosso projeto de vida?Querido, deixa renascer o sol na manhã do teu e nosso tempo refazer-se o tempo dos nossos sonhos renascer nossas esperanças!...

Deixa, querido, que o amor tome cômodo no teu peito, que eu amo tanto definitivo e findo em si mesmo ou diga-me...
O que restou?
14/07/2007


Só quero um tempo...


Só quero um tempo...
José Antonio Siqueira.
Garimpando Ternura.
Só quero um tempo...
Quero um tempo entregue ao vento, flutuando sem rumo num céu aberto.
Quero na vida encontrar um alento, da felicidade que esteve tão perto.
Encontrar um alento, entregue ao vento, da tal felicidade que, em sorriso aberto, desfrutei na ventura de curtos momentos,longe no tempo, nunca esteve tão perto.
Já vai longe o tempo em que da felicidade, senti leve toque, nunca a tive mais perto.
Restou-me a amargura na dor da saudade, o sofrer de minh'alma em ardente deserto.
Tênues lembranças de lindos momentos perduram no tempo, na dor da saudade.
Longo é o tempo para o esquecimento, de tão curtos momentos de felicidade.


Sinto Vergonha de Mim


Sinto Vergonha de Mim
Cleide Canton

Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominávelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o “eu” feliz a qualquer custo, buscando a tal “felicidade” em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos “floreios” para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre “contestar”, voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer… Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.



Nota:

"Sinto Vergonha De Mim" não é da autoria de Rui Barbosa. Fazendo várias pesquisas na Web encontrei esse título em vários sites e blogs tendo como autor Rui Barbosa, de fato esse poema de Cleide Canton é muito lindo...

Como da mesma forma que aconteceu com a amiga poeta, Cristiana Passinato com seu lindo poema "Preciso de Alguém" que muitos repassam com a autoria de Charles Chaplin e da outra poeta Renata Villela com o poema "Deficiências" e corre ainda como sendo o autor Mário Quintana
, assim como tantos outros...

Em meios aos discursos de Rui Barbosa ele colocava palavras profundamente tocantes como esse discurso em sua célebre Oração aos Moços...

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. Teria perdido a fé? O próprio Cristo não parece tê-la perdido quando, no auge da angústia, esvaindo-se na cruz, exclamou: Pai, Pai, por que tu me abandonaste? Todavia, a fé de Cristo sobreviveu a Ele, e eternizou-se no Evangelho".

O fato é, que Cleide Canton utilizou umas das frases de Rui Barbosa como sendo o complemento de seu poema sem plagiá-lo. No todo, como se podem ver as palavras completas de Rui Barbosa não tem nada haver com o poema Cleide Canton.

Os trabalhos de Cleide Canton e seu perfil podem ser visto no site: http://www.paginapoeticadecleidecanton.com/perfilcleide.htm



O valor da amizade




O valor da amizade
S.Bernardelli


Você já parou para pensar sobre o valor da amizade?Às vezes nos encontramos preocupados, ansiosos, em volta há situações complicadas, nos sentindo meio que perdidos, mas somente o fato de conversarmos com um amigo, desabafando o que nos está no íntimo, já nos faz sentir melhor, mesmo que as coisas permaneçam inalteradas.

Quantas vezes são os amigos que nos fazem sorrir quando temos vontade de chorar, sua simples presença nos traz de volta o brilho da vida.

A simplicidade das brincadeiras pueris, a conversa informal naqueles momentos de descontração, uma conversa rápida ao telefone, no vai e vem do dia ou da noite, no bate–papo pela Internet, no ambiente do trabalho ou da escola, enfim, em qualquer lugar a qualquer hora.

Entretanto, não existe só alegria, amor, felicidade nesta relação, ela é como qualquer outro relacionamento que passa por crises passageiras, por momentos intempestivos, abalos ocasionais.

Ainda que tenhamos muito carinho pelo amigo em questão, às vezes por insegurança, por ciúmes, por estarmos emocionalmente alterados ou nos sentindo pressionados, acabamos às vezes sendo injustos com eles e isso pode ser recíproco.

Podemos comparar esse elo de amizade como o “tempo” que passa por alterações climáticas constantemente, mas é dessa forma que aprendemos a nos conhecer, compartilhando momentos é que se desenvolve uma amizade.

Diante do amigo somos nós mesmos, deixamos vir à tona nossos pensamentos a respeito das coisas, da vida, nos mostramos como verdadeiramente somos.

Há amigos que nos ensinam muito, nos fazem enxergar situações que às vezes não percebemos o seu real sentido, compartilham a suas experiência conosco,nos falam usando da verdade que buscamos encontrar.

Ao longo da nossa vida muitos amigos passam por nós, e nos deixam saudades, mas também deixam as recordações de
tudo que foi vivido.

Amigos são irmãos que a vida nos deu para caminhar conosco ao longo da nossa jornada espiritual, extrapolando os limites do tempo, continuando quando e onde Deus assim o permitir.
19/06/2005


Amargura da alma



Amargura da alma
Maria Nogueira Martinelli - (Sapeka)
Não foi só a mim que a sua palavra feriu.
Nos versos tristes e desprovidos de amor a amargura arrancada dos olhos que viu toda a feiúra exposta na tirania da dor.
Também feriu sua alma que vaga aflita que busca cansada o consolo de ouvir a esperança de sonhos de paz e acreditano coração dessa fé de um novo porvir.
E nessa mágoa que insiste em declamar a cada verso de lágrima que dita rancor.
Faz sofrer quem teima querendo te amar e sua alma esquecida num canto da dor.
http://www.sapekapoesias.com.br/


"Você".


"Você".
JG de Araújo Jorge.
Hoje sinto-me só, neste abandono que põe na alma da gente um não sei quê...
Para dentro dos olhos vejo o outono, paisagem cor de cinza e esse ar de sonoque em plena primavera ninguém vê...

Não é tristeza propriamente: é esplim; nem sei se é esplim: é um sentimento vago; hoje sinto-me só, sinto-me assim como a flor que lá fora no jardim a aragem dipétala num afago...
Finíssima neblina há no meu Ser e em minha alma tristíssima faz frio,se lá fora há calor, e ouço o prazercantando na alegria de viver, por que no meu destino esse vazio?

Hoje sinto-me só e há uma tortura nessa profunda e impenetrável mágoa...
Minha vida é uma sombra...
É uma figura que se debruça numa noite escura no olhar parado de uma poça d'água.

Hoje sinto-me só...
E faz-me mal ficar só, quando a noite está tão calma. . .
Quanta gente infeliz, sentimental, sentirá, com certeza, uma ânsia igualà que eu sinto rondando na minha alma...

Pela janela aberta entra o bafio morno, de um ar que embriaga e que perfuma; vem da sombra um rumor, um murmúrio, talvez, quem sabe? passe adiante um rio...
Mas bem sei que não passa coisa alguma...
Esse rumor que chega aos meus ouvidos que impregna o ar assim, esse rumor,é a canção de mil beijos escondidos, de lábios entreabertos e vencidosque se procuram na ilusão do amor...

Eu sei bem por que sofro e o que eu almejo, minto afirmando que não sei porquê, falta uma boca para o meu desejo, falta um corpo que eu quero e que não vejo,Falta, por que não confessar?...
Você!
(Poema de JG de Araújo Jorge extraído do livro "AMO!". - 1a edição 1938).